Uma gaiola chamada ciúme

Todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida que namoro é algo difícil de lidar. No nosso caso nunca foi. Muitas pessoas já me perguntaram como a gente consegue se dar tão bem e PRINCIPALMENTE - e também a pergunta mais óbvia - como você aguenta ficar longe dela tanto tempo?

É lógico que não é uma coisa fácil de se explicar, mas o que eu posso dizer pros outros é que não tem tanto problema, afinal, a gente ainda se vê em alguns feriadões e nas férias. Porém, nesse texto vou contar direitinho como eu aguento esse tempo todo longe da Manie e também o loooongo caminho que me levou a dizer "caraca, eu sou tipo um canário que saiu da gaiola". Uma gaiola com nome. Ela se chama "Ciúmes".

Teve uma época, antes deu conhecer a Manie, que eu fiz uma amizade com uma menina e me apaixonei. Eu era muito besta naquela fase da vida, dei uma de Chorão e fiz "Tuuuuuuuuuuuudo erraaaaaaaaadooooo tam tam tam tam". Por que? Porque eu tinha ciúmes adoidado por coisas muito muito bobas, praticamente um sentimento de posse. Quer coisa mais besta que sentir ciúme de uma menina que você tá apaixonado, ainda mais quando vocês são melhores amigos há alguns anos?

Digo até hoje que perder uma amizade é uma das piores coisas que existe, mas com a amizade dela eu aprendi muita coisa que levo pra sempre hoje em dia, do que eu tenho que fazer de certo e de errado.

Depois de um tempo, num trampo de telemarketing, veio mais uma fase difícil de aprendizado. Mais loca do que sair de casa com uma mala pelo mundão a fora em busca de novas aventuras. As aventuras que eu vivi foram torturas, mas aprendi tanto quanto essas viagens de mochileiro.

Várias coisas doidas aconteceram, conheci gente de todo tipo e, no meio delas, uma menina com quem me relacionei. Percebi que ela tinha gostos parecidos que me atraíam, mas umas ideias que eu não concordava muito. Eu ignorei a parte das "ideias que eu não concordava muito" e meu modo bobão agiu de novo. Com ele ressurge o ciúme, como um camaleão que mudou da cor verde das folhas que se camuflou, pra um vermelho vibrante e irritante.

Porém agora era diferente: antes eu sentia que o ciúmes era só coisa minha, por ser um bobão. Dessa vez o ciúme que eu sentia parecia forjado pra que eu o sentisse. O que me corroeu ainda mais pelos motivos: 1) saber que estava sentindo ciúmes; 2) saber que não valia a pena ter esse sentimento; 3) não ter a certeza se realmente estava sendo forjado eu ter esse ciúme. Me preocupava se eu realmente estava lidando com pessoas que me faziam bem. E essa preocupação que me fez tomar decisões.

No dia que o meu contrato de aprendiz acabou, em 2014, eu enterrei tudo que tinha que enterrar daquele trampo. Sumi daqueles que me faziam mal, mas não enterrei as experiências que eu tive: levei a maior facilidade pra me comunicar pessoalmente e o aprendizado reforçado de que o ciúme não vale a pena e te corrói por dentro.

Logo depois de sair do trampo, fiquei com a Manie pela primeira vez e a história vocês já conhecem. Quando ela falou pra mim que não estava afim de relacionamentos sérios, eu pensei 3 coisas:

1) 5h de beijo sem descanso é intenso (na verdade esse nós dois pensamos);
2) eu estava sentindo a liberdade e o alívio de ter saído daquela empresa;
3) lembrei do meu eu antigo ciumento e possessivo pra chuchu.

Então, assim que nos despedimos, eu falei de coração aberto:

- Tudo bem se você não quer ficar mais vezes, ou até namorar. Eu vou entender.

A partir daquele dia, eu realmente me senti leve, sabe? Porque dei a liberdade pra ela também fazer o que quisesse e eu também ia fazer o que eu quisesse e todo mundo ia ser feliz. Não ia ter eu encheno o saco de alguém só pelo motivo "eu quero ficar com você mesmo que você não queira ficar mais comigo". Suavão! Me senti como um canário que acabou de fugir da gaiola.

Depois do meu aniversário, ainda em 2014, ficamos mais uma vez e aí numa conversa do whats eu pedi ela em namoro.

(Agora vô fazer que nem a Manie e colocar essa música pra ouvirem enquanto lêem! Depois se quiserem, leiam a letra, que complementa bem o meu sentimento com o começo do nosso namoro em setembro de 2014, até a Manie chegar na faculdade na metade de 2015.)

Ela aceitou, mesmo que a gente já soubesse que ela provavelmente se mudaria pra Floripa. A gente não sabia o que ia acontecer, mas deixou a vida levar a gente. Afinal, o que quer que acontecesse não impediria a gente de aproveitar pelo menos aqueles seis meses que ela ficaria em Santos, esperando as aulas começarem.

Em alguns momentos, ela comentou que talvez ficasse com outras pessoas eventualmente, principalmente quando se mudou. Ela avisou pra mim o que ia fazer, avisou que era pela incerteza do futuro, deixou tudo claro pra mim. A gente sempre foi muito sincero um com o outro e com o que sentíamos. Se eu prendesse ela, não faria sentido tanto pra mim quanto pra ela. Além disso, nós sentimos a mesma atração um pelo outro independente de ela ter ficado com pessoas naquela fase. "Ah, mas e se ela se apaixonasse loucamente por outra pessoa?". A gente seguiria nossas vidas. Eu ia chorar em posição fetal, obviamente, mas tem uma filosofa contemporânea - mais conhecida como "Minha Mãe" - que já diz... "Ninguém é de ninguém" nesse mundo, rapaziadinha.

Sabe... Passar por todo esses ciúmes gigantescos do passado me fez reparar o quanto é um sentimento que te faz muito mal. Te deixa com raiva, tristeza, às vezes chega ao ponto de te atingir fisicamente e te deixar doente. Doente de verdade! A ponto de seu sistema imunológico ficar fraco. Não vale a pena sentir algo tão ruim. Sei que a gente não é perfeito e que às vezes pode acabar sentindo essa coisa péssima chamada ciúmes, mas cabe a nós tentar bloquear isso - ou, sei lá, conversar com a pessoa sobre o que sentimos. É só ser transparente e expor seus sentimentos, conversando.

Antes de qualquer coisa, um relacionamento tem que ter amizade. Você não trata um amigo como posse. Isso é pelo menos uma das várias coisas que fazem com que eu e a Manie até hoje fiquemos juntos... Que faz com que eu não ligue pra onde ela vai, o que ela ta fazendo, e é o que me faz confiar nela nessas situações. Nós somos muito amigos e podemos contar um com o outro. Sempre foi assim, e vamos continuar assim. Sem gaiola nenhuma pra nos prender.

Curiosidade: é daí que vem o meu "apelido artístico" de Homem-Canário, e o apelido que dou pra Manie de Andorinha, o passarinho migratório.

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